segunda-feira, 14 de abril de 2008

O muro


Na madrugada
nos olhamos fixamente
a memória me sussurra algo
escrevo bem grande
sigo meu rumo.
No dia seguinte
ele ostenta seus dois metros e oitenta de altura
de tijolo, massa e símbolo
entre o mato e o asfalto
protegendo algo de alguém.
Uma página estampada
na cara do cotidiano
quase profética
na esquina para mendigos e burgueses
desobediente
em meios a tantos como ele
que se vendem
aos anúncios, a política.
Uma semana depois
lhe censuram com tinta fresca
sob vigilância
ele espera.

se fosse 100% NÓIS NA FITA LOKA
tudo bem, tudo bem, tudo bem.

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