sábado, 1 de agosto de 2009

"Minha mãe não pariu nenhum punk
No entanto
Aqui estou eu"
...................................mundo livre s/a

terça-feira, 31 de março de 2009

goiânia cinco anos depois
meia década disposto
dia do circo e intervenção
graffiti, pixação, menssagens
sem pedir licença, como tem de ser
nas avenidas, becos
ou pela canaletas dos "corguim" como se diz em minas
arte de rua, agilidade de batedores de carteira
quando vê já foi.
São todos,
batedores de muros, praças e ruas.

quarta-feira, 18 de março de 2009

"coitado daquele que não ri de si mesmo"

frase cuspida e captada num bar em um encontro do grupo Patifaria antes de se rachar entre o papel e a rua

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O que urge fazer?

enfocar o último carneiro
com as tripas
do último galassi.

domingo, 27 de julho de 2008

A vida é séria demais para sorrir...


vampeta diz:
-futebol é profissionalismo,
futebol é coisa séria...
lamentável seria se esperasse algo de bom nisso tudo.

mudando de assunto ou prolongando as besteiras acima

As crianças crescem e padecem
jovens sérios
adultos pobres
frágil
para as inseguranças, anti-depressivos.
Humor pobre
plateia pra piada com mulher burra e de traseiro avantajado no sábado a noite
engraçado é tombo, dos outros
mais engraçado ainda é derrubar.
Criança séria não toca o mundo
apenas as páginas das vivências alheias.
A morte é algo a se temer,
para os que se fecham em casa
com medo da vida que a chuva carrega.
Pois renovar-se é perigoso
e rasgar espaço dói
seguir sombras em trilha aberta é bem mais tranquilo,
seja qual for o grau de cegueira.
Cómico seria se alguns soubessem que já estão mortos,
e o que fazem é rastejar seus corpos pelo espaço!
Pelas crianças que se alimentam de arte,
nos corpos em que o tempo tece com sabedoria.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O muro


Na madrugada
nos olhamos fixamente
a memória me sussurra algo
escrevo bem grande
sigo meu rumo.
No dia seguinte
ele ostenta seus dois metros e oitenta de altura
de tijolo, massa e símbolo
entre o mato e o asfalto
protegendo algo de alguém.
Uma página estampada
na cara do cotidiano
quase profética
na esquina para mendigos e burgueses
desobediente
em meios a tantos como ele
que se vendem
aos anúncios, a política.
Uma semana depois
lhe censuram com tinta fresca
sob vigilância
ele espera.

se fosse 100% NÓIS NA FITA LOKA
tudo bem, tudo bem, tudo bem.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

mercantilize-se

Compre
Tenha
Seja

Manual

do bom Cidadão
e da boa Pátria
Queime os índios.
Uma bota, um macacão e um posto imóvel ao caboclo.
Famílias não perderam mais seus filhos e pais para limparem o chão do norte desenvolvido,
o sistema agora é delivery no Brasil,
welcome to orla nordestina.
Represas, royalts é o melhor a ser feito.
Para o ribeirinho terra pobre, cesta básica e antidepressivos.
Despreze o conhecimento oral e a sabedoria antiga,
para o velho Pajé, medicina alternativa de A a Z.
Alise o cabelo de todas as negras.
Esqueça os palhaços e a poeira das lonas ambulantes,
ser clown é ser contemporâneo.
Entre na fila, jure a bandeira deles, um braço a frente da cópia a frente.
Pegue seu plano de vida na escola mais próssima.
Cuspa nos mendigos.
Sexo só papai e mamãe, e de luzes apagadas.
Seja um dizimista fiel.
Mate seus pais e alegue transtornos mentais.
Passe por cima de alguém e abrace seu irmão na igreja.
Mulher do século 21, empine a bunda e mostre seu valor.
Ande na moda.
Sejamos todos imbecis
Sejamos todos hipócritas
Sejamos todos felizes na nossa pobreza
Fixemos bem o nosso cabresto,
e cavalguemos.

*cabresto: -corda ou correia com que se prendem ou conduzem cavalgaduras sem freio;
boi manso que serve de guia aos outros;

Um tolo se passa por sábio


diante uma platéia de tolos

quarta-feira, 9 de abril de 2008

As vezes é bom


fechar o livro
e ir ver

Posfácil


a cerca do "severinismo" e sua morte e vida

Me retirei do sertão
seguindo como uma sombra os passos de Severino
atravessei a caatinga
caminhei guiado pelo capibaribe
mesmo quando ele se ausentava tragado pela seca
atravessei imensos canaviais de tão igual semelhança
cheguei ao Recife
terra cortada por rios, mangues e banhada pelo mar
agora me encontro sentado em frente ao mar
vendo e ouvindo as ondas
esperando a sua chegada
nessas nossas diferentes histórias
de semelhantes caminhos
donde ajuntaremos os nossos passos calejados
e a nossa sina
para adentrar de volta ao sertão.

fraquejou


Sentiu-se perdido sem nunca ter se achado
Sentiu-se cansado sem ter sambado
Sentiu-se derrotado sem ao menos ter lutado
Sentiu-se rejeitado sem almejar
Sentiu-se desconfortado com os fatos,
mas esperou sentado a mudança
Sentiu-se traído sem nunca ter confiado
Sentiu-se só sem nunca ter tido alguém
Se matou sem ao menos ter vivido

terça-feira, 8 de abril de 2008

Nasceu pra ser crack

ou joga bola








ou se fuma

Quando ela chama


Acordou suado
vestiu seus panos
pegou sua velha mochila
caminhou
acenou com as mãos.
Olhou pela janela o novo horizonte
procurou limites no céu a cada curva
em vão.
Como as aves
migrou de encontro a alguma origem
fez do vento seu guia
escutou o silêncio
sentiu o tempo
sorriu
sumiu na imensidão.

Hoje ainda se lembra do sonho que tivera,
no qual dois homens chegaram,
dirigindo um velho hudson e lhe disseram:
-vá e apenas vá

Herança

É hora de dividir a herança
os filhos se reúnem
um se levanta ainda vivo
está dividida a herança.

tchau Silvio


Cruze os dedos e rode a roleta da sorte
acredite na esperança atrás de uma porta
torça para aceitar mais ou menos pontos
quem quer dinheiro?
quanto custa uma pessoa?
já começou a sonhar com seu milhão?
mantenha a fé e acrescente uma pesada dose de ilusão
ajoelhe
se jogue
pise
agarre o avião de dinheiro
se sonhar não custa nada
se iludir menos ainda
comodidade?
a felicidade por aqui é barata e ao alcance do toque.

Receita?


Numa panela de água fervendo
caranguejos derramados vivos
pinça e panela
atrito
percussão corporal
o som ecoa
bravo golve
ultimo lamento.

Bahia


Interiorizando
do sertão ao mar
crianças ainda brincam
ainda procuram nas nuvens formas e objetos
conhecimento via oral
cotidiano
da janela do ônibus
queijo e milho assado
água, coco, crianças
caminhos
velhos escutam o vento
em suas velhas canoas
cachaça oferecida ao santo
flores ao mar
meus pés descalços
bicho-de-pé
vizinhos pobres da riqueza e da beleza
sonham em jogar seus corpos numa prancha em Itacaré
crianças
porto inseguro
crianças sem pai
sangue indigena
sangue africano
pequenos guerreiros vagando
macunaimas desacreditados
vendendo colares
mal feito
mal oferecido
no verão todas as linguas do mundo
e elas te dizem muito
apenas com olhares
crianças.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

aceite

por apenas 10% do seu salário

Novos Conceitos


Vamos murar toda a cidade
nos fechar em um condomínio
é o mais novo conceito em liberdade.

novo Funk




O funk desceu o morro
desceu o morro e chegou a globo
chegou a globo e ganhou o mundo
o domingo na tv foi dedicado ao funk
dj cigarro apertou play
mulheres rebolando grandes bundas do tipo que você só ve na tv
belas artistas influenciaveis entram no ritmo
no começo dançam mal
duras, sem o tal do gingado
mas depois mellhoram
afinal para se saber rebolar
basta ter uma bunda
e o povo vai pegando o ritmo
a menina tem três anos
ma já rebola como mulher
conexão cultural
do morro para o condomínio
fasendo a filha do patrão
rebolar no mesmo ritmo e som
que rebola a filha do empregado
pra engolirem de que dinheiro não compra educação e cultura
no rádio a pilha
ou no i-pod
o novo funk está em alta
pelo menos até a globo encontrar algo pior a se vender
acontece na globo
acontece no mundo
e vice-versa

Aquário

Peixe gira
se vê
se bate
nada
nada
e nada mais
horizonte estático
lâmpadas-estações
desventura
salta
bate
padece
LIBERTA.

sábado, 5 de abril de 2008

para os turistas, Porto Seguro


Hoje trajes de dançarino de axé
amanhã traje de índio
vendendo lanças artesanais
produzidas em escala industrial
só mais um em meio a multidão, garantindo o seu sustento
não estranhe isso é Porto Seguro, é Brasil
mas não tente você vender qualquer coisa em algumas praias
pois a fiscalização é rigida
para se garantir que só se venda a mata atlântica, na forma de colher e bandeja
e ao passar por aqui não se esqueça de levar um retrato dos 500 anos de Brasil
tire foto com um índio sem terra.

Filhos


Na parte da manhã deixo com a xuxa
na parte da tarde deixo com o estado
e a noite chamo a atenção
pois as crianças andam muito mal criadas.


-responde a mãe sob a pergunta de como é criar filhos na correria dos dias atuais.