terça-feira, 8 de abril de 2008

Bahia


Interiorizando
do sertão ao mar
crianças ainda brincam
ainda procuram nas nuvens formas e objetos
conhecimento via oral
cotidiano
da janela do ônibus
queijo e milho assado
água, coco, crianças
caminhos
velhos escutam o vento
em suas velhas canoas
cachaça oferecida ao santo
flores ao mar
meus pés descalços
bicho-de-pé
vizinhos pobres da riqueza e da beleza
sonham em jogar seus corpos numa prancha em Itacaré
crianças
porto inseguro
crianças sem pai
sangue indigena
sangue africano
pequenos guerreiros vagando
macunaimas desacreditados
vendendo colares
mal feito
mal oferecido
no verão todas as linguas do mundo
e elas te dizem muito
apenas com olhares
crianças.

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